Agachamento Total ou Parcial?


O Agachamento é um dos exercícios mais utilizados nas salas de exercício e em programas de condicionamento tanto em sujeitos normais como em atletas.

 

Vários estudos já demonstraram que a amplitude de movimento (ADM) altera a cinética, a cinemática e a atividade muscular nos membros inferiores como foi o caso de Caterisano (2002) ou Bryanton (2012).

Dado este contexto, é importante ter em atenção alguns aspetos estudados anteriormente por diversos autores, tais como:

  • Independentemente da ADM utilizada, o volume muscular dos Isquiotibiais não se altera (Bloomquist, 2013);
  • A atividade electromiográfica do Glúteo Máximo é maior no agachamento profundo (Caterisano, 2002) e o aumento de massa muscular também (Kubo, 2019);
  • O Quadricípete hipertrofia de forma idêntica comparando as 2 versões do agachamento (Kubo, 2019);
  • Os Adutores (Curto, Longo e Magno) hipertrofiam mais quando o agachamento é profundo (Kubo, 2019);
  • Os ganhos de força são específicos dos ângulos treinados (sujeitos que treinam agachamento parcial ganham mais força no agachamento parcial e vice-versa) (Kubo, 2019).

Antes de escolher qualquer variação, o treinador deve ter presente que o Exercício deve ser escolhido em função do cliente e nunca o oposto.

Neste sentido, é imperativo conhecer bem o cliente que irá executar o exercício e ter em consideração um conjunto de questões antes de escolher a variação mais adequada a executar do agachamento, como por exemplo:

  • Nível de domínio técnico do Cliente;
  • Alteração da curvatura fisiológica da coluna (especialmente da zona lombar, butt wink);
  • ADM que o sujeito controla e tem disponível (principalmente na articulação da Coxo-femural);
  • Especificidade (ex: desporto praticado pelo cliente);
  • Objetivo do Exercício (ex: músculos-alvo).

Em conclusão, nenhuma das versões (Agachamento Profundo ou Parcial) é, à partida, melhor do que a outra.

A escolha da versão a realizar deve ser feita de forma consciente, de acordo com a especificidade de cada cliente e deve depender de um conjunto de  diversos fatores.

O Exercício é que se deve adaptar ao Cliente e não o inverso.

Este texto foi elaborado pelo professor Joel Simplício, formador da delegação de Porto.